domingo, 25 de outubro de 2009

SÉRIE: House (1ª temp.)

     
Nome original: House
Criada por: David Shore
Elenco:Hugh Laurie, Lisa Edelstein, Omar Epps, Robert Sean Leonard, Jennifer Morrison
Gênero: Drama médico
Ano: 2005


Dr. Gregory House é um médico bem diferente do idealizado por todos. Com seu sarcasmo, frieza e muita competência comanda o Departamento de Medicina Diagnóstica em um hospital universitário em Princeton. Ele e sua equipe formada por outros três profissionais, Dr.ª Allison Cameron (imunologista), Dr. Robert Chase (médico intensivista) e Dr. Eric Foreman (neurologista), enfrentam a cada dia um caso médico misterioso e é seu trabalho descobrir qual a patologia do paciente.
     House seria melhor descrito como um detetive-médico tendo em vista que usa de métodos investigativos para chegar aos diagnósticos e sua astúcia é tão grande quanto de Sherlock Holmes. Outras características curiosas são a sua perna manca e seu vício em Vicodin, um analgésico que alivia as dores dessa mesma perna manca. Faz tudo para ficar o mais longe possível de seus pacientes porque prefere trabalhar com os fatos médicos e não com pessoas.
      A primeira temporada começa sem nenhuma apresentação mais completa dos personagens, dando a impressão que havia mais episódios anteriores. Nesse momento também é que somos apresentados à estrutura de praticamente todos os 22 episódios dessa temporada: paciente passa mal e vai pro hospital, chegando lá seus sintomas não são facilmente explicáveis, equipe do Dr. House é incumbida de fazer o diagnóstico, concluem algo, mudam de idéia por que descobrem que o paciente mentiu sobre alguma coisa, concluem outra coisa e solucionam o caso. A maioria tem esse paradigma, em alguns casos, mudando a ordem dos acontecimentos. Pr essas razões, toda a temporada passa sem início, meio e fim. Um dos poucos episódios que merecem ser revistos ou relembrados é o "Três histórias" que não segue essa linha e no qual Dr. House dá uma palestra em que cita exemplos de casos clínicos e, no final, descobrimos que um deles é o seu próprio caso, quando ele adquiriu o defeito na perna devido a um aneurisma.

     Cisticercose, bulimia, enfarte, hanseníase, Doença do Sono, são algumas coisas sobre as quais você aprenderá a cada episódio. Às vezes temos a impressão de que estamos assistindo a um documentário da BBC. Diálogos técnicos longos fazem a trama ficar extremamente cansativa a não ser talvez para um estudante de medicina. Além do mais, todo a história é focada no paciente e sua patologia. Ao contrário de "Grey's Anatomy", nessa série não quase nenhum relacionamento pessoal entre os médicos e tudo que temos na maior parte são suas vidas profissionais. Alguns efeitos especiais interessantes são usados quando fazemos uma pequena viagem pelo organismo do paciente e vemos a causa dos sintomas, como um coágulo entupindo uma veia ou a traquéia de fechando.
     A personalidade forte de Gregory irrita e a partir de um certo momento você passa a vê-lo como uma pessoa patética que tenta a todo instante provar que é inatingível e absoluto, mas que não passa de um infeliz rancoroso. Os outros personagens são tão pouco explorados que no final, você os conhece tão bem quanto no início. Tudo isso causado pela mesma razão: o esquecimento das ações dramáticas que envolvem os personagens como pessoas comuns, e não como médicos.

     Percebe-se que os roteiristas de "House" tinham como objetivo escrever uma série educativa e que trouxesse o trabalho dos médicos para o conhecimento de todos. Porém, o resultado foi um conjunto de tramas entediantes (quando não cansativas) que possuem a mesma forma e que por isso não causam a menor curiosidade para você colocar no DVD player o disco do próximo episódio. Se não fosse por curiosidades médicas que estão presentes na trama, não sobraria nada de interessante. Provavelmente, meu conhecimento desse seriado ficará restrito à primeira temporada.


     
Conceito: Regular

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Corra, Lola, Corra

     
Nome original: Lola Rennt
Direção: Tom Tykwer
Elenco: Franka Potente, Moritz Bleibtreu, Herbert Knaup
Gênero: Ação
Ano: 1998


     Esse filme alemão é simplesmente brilhante, eletrizante, inteligente e original.
     O diretor Tom Tykwer oferece três versões para uma mesma história: Lola precisa correr muito para conseguir 100 mil francos em vinte minutos para salvar a vida de seu namorado. Cada uma das três partes tem meia-hora de duração e um final diferente.
     Só a idéia mencionada acima já demonstra como o filme é genial. Além disso, a trama mostra como estamos todos interligados e interferindo nos acontecimentos nas vidas uns dos outros. Assim como qualquer número pode sair quando jogamos um dado, qualquer evento pode acontecer à nossa volta pois tudo é um resultado de vários acasos. Podemos ser qualquer coisa e qualquer coisa pode acontecer em nossa vida, existem várias realidades nos esperando, mas só uma acontecerá de fato e isso vai ocorrer aleatoreamente.
     Para aumentar a perturbação do espectador, durante quase todo o filme a trilha-sonora é um som techno que junto com a desorientação de Lola e a fotografia inquieta de Tom Tykwer, retrata a agitação e a correria (muita correria) da vida moderna. Assita o mais rápido que puder pois é uma obra de gênio.


     
Conceito: Excelente

domingo, 20 de setembro de 2009

Quarentena

     
Nome original: Quarantine
Direção: John Erick Dowdle
Elenco: Angela Vidal, Steve Harris, Johnathon Schaech
Gênero: Suspense/Terror
Ano: 2008


     Versão americana do terror espanhol “REC” é um dos melhores do gênero que vi ultimamente.
     Bem, dizer que é um dos melhores terrores que vi ultimamente é fácil porque esse é um dos gêneros que reluto em assistir por causa de péssimas experiências. Mesmo assim, tenho certeza que isso não tira o mérito do filme que agrada também os viciados em adrenalina.
     O filme é filmado em primeira pessoa como em “A bruxa de Blair” e “Cloverfield”, outros dois nomes que estão na minha lista de suspenses favoritos. Angela Vidal é uma repórter que junto com seu câmera estão cobrindo o cotidiano de um corpo de bombeiros. Justamente na noite em que faziam a matéria, surge um chamado de um prédio onde moradores disseram ter ouvido gritos de um apartamento onde uma velhinha vivia. Quando descobrem que a tal velha estava com um tipo de raiva que a transformou num zumbi comedor de gente, já era tarde demais: tinham sido isolados dentro do prédio para a doença não se espalhar. É nessa quarentena que tudo ocorre.
     No início achei a atuação de Jennifer Carpenter (a repórter) fraca, porém, a cada cena, quando seu pânico vai aumentando, ela consegue passar a perturbação e histeria de estar preso com aberrações carnívoras com muita competência, principalmente nas últimas cenas.

     A uso da filmagem em primeira pessoa mostrou-se novamente muito poderosa e ela foi o principal motivo da qualidade do longa. Não ser transportado para o filme é impossível. As cenas finais, quando a iluminação da câmera acaba e são obrigados a usar a visão noturna, fazem qualquer um subir pelas paredes. Quase tanto quanto naquela cena em “O Silêncio dos Inocentes”.
     “Quarentena” tem o que quase todo suspense americano tem: o fortão que protege a mocinha, a matança progressiva dos personagens e o uso de efeitos especiais para mostrar sangue e carne. Mesmo assim não deixa de ser bom. Vamos ver agora se os espanhóis são ainda mais assustadores.


     
Conceito: Muito Bom

Foi apenas um Sonho

     
Nome original: Revolutionary Road
Direção: Sam Mendes
Elenco: Kate Winslet, Leonardo DiCaprio, Kathy Bates
Gênero: Drama
Ano: 2008




     O melhor filme que assisti esse ano.
     O reencontro do casal do Titanic não tinha como ser melhor. Kate Winslet e Leonardo DiCaprio encenam nesse filme de Sam Mendes (“Beleza Americana”) um casal que participa de discussões épicas, como em “Quem tem medo de Virginia Woolf?”. April e Frank Weeler vão mudar seu modo de ver a vida em sociedade.
     Ela, uma dona de casa com a carreira de atriz frustrada. Ele, um funcionário de uma empresa que odeia seu emprego, adúltero e insatisfeito com o que sua vida se tornou. Qual a diferença entre os dois? Ela vê uma saída, ele acha que aquela vida é normal. O plano dela: largar tudo e se mudar para Paris, onde ela iria sustentá-lo e onde ambos acreditam que seja o único lugar em que podem ser felizes. Ela é a revolucionária que viu o buraco e a falta de esperança e tenta fugir dele. Ele, uma vítima da sociedade que prefere não enxergá-lo e ir levando a vida.

     Sam Mendes critica explicitamente o modo de vida americano, que mesmo sendo americano, não deixa de ser o mesmo que a maioria da população mundial sustenta. Um estilo de viver que tem como uma das piores conseqüências a artificialidade das relações. As pessoas deixam de ser quem são, para serem o que possuem. Apesar da história se passar na década de 50, é perfeitamente aplicável à atualidade. Na verdade, acho que é ainda mais aplicável atualmente do que antes. Pessoas sacrificam a vida trabalhando, trabalhando e se esquecem de suas vontades. Ou melhor, há uma vontade que nunca esquecemos: a de consumir. Esse é o desejo que nos move quase na vida toda. Assim, cada vez vamos nos afastando mais um dos outros, deturpando a noção de respeito, afeição e individualidade. A representação do mundo pode ser uma linha de montagem de uma fábrica, onde nós somos as mercadorias. Somos programados para termos metas e seguirmos regras impostas e se não fizermos isso, perdemos o valor nesse emaranhado de pessoas. A vida pode ser mais do que isso, pois quem criou esse sistema foi nós mesmos. É nisso que April acredita e espero que esteja certa.

     Todas as cenas desse filme são inesquecíveis e perfeitas e todos os diálogos são inteligentes. Leonardo DiCaprio e Kate Winslet foram brilhantes. As melhores atuações que vejo há muito tempo. Winslet foi mais ainda mais talentosa aqui do que em “O Leitor”. A trilha sonora, como em “Beleza Americana”, fica na memória por muito tempo e fornece ainda mais emoção para uma das cenas mais magníficas que já vi, na qual há somente April e uma janela. Quem viu sabe do que estou falando.
     É impossível descrevê-lo em um texto, pois ele suporta discussões de horas e horas de duração. Simplesmente assista-o. Não o interpretando como um drama sobre brigas de casal, mas sim como um ensaio da situação dos homens em sociedade. Ou você vai se surpreender muito ou vai odiá-lo totalmente.


     
Conceito: Excelente

sábado, 5 de setembro de 2009

Vicky Cristina Barcelona

     
Nome original: Vicky Cristina Barcelona
Direção:Woody Allen
Elenco: Javier Bardem, Scarlett Johansson, Rebecca Hall, Penélope Cruz
Gênero: Romance
Ano: 2008
     


     Mais novo filme de Woody Allen traz grande elenco, porém não é tão brilhante como esperava.
     Nessa obra com o estilo clássico do diretor, as personagens principais são Vicky e Cristina, duas amigas que vão à Espanha passar suas férias de verão. Lá conhecem o artista-galã Juan Gonzalo (interpretado por Javier Bardem). De início, somente Vicky mergulha num romance com o espanhol, mas vários rodízios de relações acontecem durante toda a história.
     Na primeira cena já me decepcionei com uma ferramenta usada no roteiro: a narração. Não só era feita por um narrador que não faz parte da história como está presente e toda a trama. Woody Allen que preza tanto a personalidade de seus personagens escolheu nessa película apresentá-los através de longas descrições do narrador ao invés de fazê-lo pelas imagens. Nas primeiras cenas escutamos do narrador que Vicky é uma estudante de mestrado sensata e que respeita os relacionamentos sérios. Cristina é a mente aberta que busca algum modo de se expressar, quebrar os valores morais e encontrar um amor que vire sua cabeça. Infelizmente, essas características só foram totalmente visíveis nessa parte. Talvez acharam que somente a narração era o bastante para construir um personagem denso e real. Se não fosse o envolvimento, por exemplo, de Cristina num romance bígamo e bissexual (que mais parece saído de um filme de Almodóvar), não a veria como uma mulher tão audaciosa como a narração apresentou.
     O boêmio Juan é o que está envolvido em todas as reviravoltas da história, mas Bardem (assim como todos os atores) teve a cena roubada por Penélope Cruz que interpreta sua ex-esposa difícil de se lidar e extremamente mente aberta, salve os dois eufemismos. A agradável trilha-sonora espanhola e algumas cenas divertidas também somam alguns pontos positivos à trama.
     Vicky Cristina Barcelona é um filme sobre escolhas que fazemos, sonhos que alimentamos, e principalmente, sobre a busca pelo amor e pelo o que ele significa. Um romance talvez seja um dos gêneros mais complicados de se trabalhar, pois a história precisa trazer algo de surpreendente para não cair na mesmice cansar o espectador. A trama de Woody Allen até trouxe situações novas, mas nada que fique em sua memória por muito tempo.



     
Conceito: Regular

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O homem-elefante

     
Nome original: The elephant man
Direção: David Lynch
Elenco: Anthony Hopkins, John Hurt,Anne Bancroft
Gênero: Drama
Ano:1980


      Filme baseado em fatos reais conta a história de John Merrick, portador de uma doença que faz com que 90% de seu corpo seja deformado, e por essa razão é exibido num circo como uma aberração. Anthony Hopkins interpreta o médico que leva John para o hospital para estudar seu caso.
     Mesmo sendo um filme já da década de 80, é em preto-e-branco e esse toque deu um toque sombrio ao filme, que remete bem ao sofrimento e humilhação que o personagem passa durante a trama. Tudo no filme é bem feito (principalmente a maquiagem) e nenhuma cena é descartável, pois todas conseguem prender a atenção.

     Esse clássico emociona do início ao fim. Dá várias lições e coloca o espectador numa situação difícil: como deixar de sentir um desconforto enquanto visualisa John e sua horrenda aparência? Esse é o ponto do filme: a busca de John pela dignidade e aceitação das pessoas que só gritavam quando o via. Até então, no início, nós e todos os personagens pensavam que além da deformidade física, ele tinha algum retardo mental. Porém, com a ajuda da equipe do hospital, ele se mostra como uma pessoa normal e inteligente e é a partir daí que começamos a vê-lo com outros olhos. Infelizmente, a repulsa mesmo assim é inevitável e essa obra usa disso como uma prova de como somos desacostumados ao diferente. Dilacerador.


Conceito: Muito bom

Pagando bem, que mal tem?

     
Nome original: Zack and Miri Make a Porno
Direção: Kevin Smith
Elenco: Elizabeth Banks,Seth Rogen
Gênero: Comédia
Ano: 2009


Muito imbecil. Se você gosta de comédias sexuais do tipo American Pie elevado ao cubo, talvez esse te agrade. Do contrário, alugue um pornô. Como nem acabei de assisti-lo, nem vou me dar ao trabalho de comentar mais.



     
Conceito: Péssimo

sábado, 18 de julho de 2009

Dúvida

     
Nome original: Doubt
Direção: John Patrick Shanley
Elenco: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman,Amy Adams
Gênero: Drama
Ano: 2009


     Protagonizado pela mestra Meryl Streep, esse é um dos filmes mais inteligentes que já assisti. Juntamente com O Leitor, Dúvida é o melhor filme do Oscar 2009. Enquanto o primeiro afeta mais seu lado emocional, o segundo afeta seu lado racional.
     Irmã Aloyisius é uma freira que dirige uma escola católica com mãos-de-ferro quando começa a desconfiar que um pároco está tendo uma "relação imprópria" com um dos alunos e assim faz de tudo para provar que sua impressão está certa. Atuações fantásticas compõem essa obra de arte, principalmente dos três principais: Streep, Philip Seymour Hoffman e Amy Adams. Cenas e diálogos longos passam toda a responsabilidade para os atores que com muita competência nos involvem nas conversas, como se estivéssemos participando delas.
     É fácil comparar o conflito desse filme com a história do livro Dom Casmurro, de Machado de Assis. Ambos possuem um personagem com uma séria desconfiança sobre outro indivíduo e nos dois casos são fornecidos fracas provas que confirmam a suspeita e no final, não temos uma resposta concreta. Ainda, as duas obras nos obrigam a escolher um lado. Assim fica a pergunta: padre Flynn abusou ou não de Donald Miller?

     No meu ponto de vista, Dúvida traz muito mais do que um quebra-cabeça onde há fatos que devem ser usados ou no lado de Irmã Aloyisius ou no lado do padre Flynn, que afirma sempre que sua relação com o garoto é só uma amizade. Acredito que a chave de toda a trama é a personagem da Irmã, que move toda a campanha contra o pároco. Suas suspeitas já começam com fatos longe de serem provas e isso mostra que algo a impeliu a implicar com o padre, mas qual seria? Como uma rígida e conservadora freira, acredito que ela seja a personificação de toda a filosofia de uma das maiores instituições do mundo ocidental: a Igreja Católica. Todos os atos de Irmã Aloyisius convém com o que sua religião prega e portanto, o fato de ela alimentar essa forte desconfiança sobre Flynn também provém dessa fé inabalável. A cena que me fez chegar à essa opinião é aquela em que ela diz: "Eu não tenho compaixão pelo senhor. (...) Sei que você não se arrependeu". Já tendo admitido que ela mesma havia cometido sérios pecados em sua vida, ela afirma que ela tinha se arrependido. Está aí uma das maiores características do cristianismo: culpar a humanidade por aquilo que chamam de "pecado" e fornecer como única escapatória seu arrependimento. A fato de Aloyisius não ter necessitado nenhuma prova antes de apontar o dedo para Flynn e tê-lo obrigado a admitir sua culpa mostra como as regras da Igreja afirmam que todos nós merecemos ser eternos mártires. Não importa o motivo. Do outro lado, temos o pároco com sua filosofia religiosa totalmente oposta, onde a escola precisava se freiras e padres mais amigáveis com os estudantes e que ofereçam a eles mais compaixão e tolerância. Esse é outro ponto que impulsiona a Irmã a tentar de qualquer modo que o padre seja culpado para que assim ele desaparecesse da escola onde ela é diretora, e dessa maneira continuar com seus meios de julgar e punir. No meio dessa luta, há a Irmã James, que acaba ficando desorientada, sem saber se acredita na culpa de Flynn ou não. De um lado é ela chamada de ingênua, e de outro, de bondosa. Munida com uma suposta crença absoluta de que ele era um pedófilo, Aloyisius faz de tudo para obter sua confissão. porém, no final ela percebe que talvez tudo não tenha passado de uma auto-enganação, movida pela sua cega crença em toda em sua moral de julgar as pessoas, provinda da moral cristã. Concluindo, em minha opinião, a história mostra como a religião obriga as pessoas a terem fé em suas regras e se comportarem do modo que ela permite, e com isso, passam a ter a impressão que sua fé é absoluta. Porém, o que todos temos, lá no fundo, são...DÚVIDAS.


Conceito: Excelente

terça-feira, 14 de julho de 2009

Austrália

     
Nome original: Australia
Direção: Baz Luhrmann
Elenco: Nicole Kidman, Hugh Jackman
Gênero: Drama
Ano: 2009


     Filme com Nicole Kidman é o que podemos chamar de "bobinho".
     Sarah Ashley é uma aristocrata inglesa que se muda para a Austrália onde seu marido toma conta de uma fazenda de gado. Chegando lá, a responsabilidade da fazenda cai em suas mãos e ela enfrenta vários desafios como a vaguejada através do sertão, a Segunda Guerra Mundial, os aborígenes e seu romance com Drover, seu ajudante.
     Algumas partes do filme são narradas pelo personagem Nullah, um garoto aborígene que Sarah começa a cuidar depois que sua mãe morre. O clima de misticismo que colocaram em torno do garoto não combinou com o resto da história e a tornou ainda mais infantil. Quem não se cansou do menino dizendo a todo o momento : "Eu vou cantar para você me achar". Nos primeiros minutos da película, tudo, a não ser a atuação de Kidman e Hugh Jackman, é superficial. Como muitos filmes, optaram por carregar a história de humor bobo e com isso, a trama, que eu esperava ser mais densa, se tornou uma versão mamão-com-açúcar de Cold Mountain, onde também havia Nicole Kidman, uma fazenda e um amante distante, porém esse sim possui uma história envolvente. A única cena no início que merece comentário é aquela em que o canguru leva um tiro na frente de Sarah.

     O primeiro obstáculo que Sarah encontra, juntamente com seu futuro amado vaqueiro, é levar as 1.500 cabeças de gado até o cais para serem vendidos ao Exército e assim salvar a fazenda. Entretanto, o país vivia sobre um monopólio de carne comandado pela fazendo dos Carney que usam de tudo para impedir que cheguem ao seu destino. A partir dessa parte o filme se torna mais adulto, trazendo uma das melhores cenas que foi aquela da corrida para impedir que o gado caísse no penhasco. É mais ou menos nessa parte do filme que começa o relacionamente de Ashley e Drover e até nisso o roteiro foi falho. Para quem esperava que Austrália fosse um bom romance, ele decepcionou bastante. Ao contrário de Cold Mountain, onde o amor é tratado com bastante intensidade, aqui os dois mais pareciam um casalsinho vivendo uma paixãozinha de verão, e que ainda assim fica explícita em pouquíssimas cenas. Portanto, o filme de Baz Luhrmann não é um romance e nem um drama digno, pois em ambos os gêneros, poderia ser taxado de "superficial". Realmente não me dou bem com esse diretor, que também dirigiu Moulin Rouge (pff...).

     Após a parte da vaguejada, começa a parte da guerra. Drover se alista no exército e Sarah fica sozinha com o garoto "mágico" Nullah que mais tarde seria levado à força pela Igreja. Nesse interim, há o ataque dos japoneses na parte norte da Austrália, que rende a segunda melhor cena do filme pela qualidade técnica. Para finalizar, temos um desfecho totalmente clichê.
     Austrália é uma mistura de humor, romance, drama, misticismo aborígene, ganância, preconceito e tudo que possa ter acontecido naquela ilha. Uma miscelânea de temas tratados com infantilidade. Sinceramente não me emocionei com nada. Não fosse pelas atuações dos protagonistas e a boa qualide técnica (produção de US$120 milhões), seria um fracasso total.


Conceito: Regular

sábado, 11 de julho de 2009

O Operário

     
Nome original: The machinist
Direção: Brad Anderson
Elenco: Christian Bale
Gênero: Drama
Ano: 2004



     Chistian Bale perde 28kg para interpretar o perturbado operário Trevor Resnik.
     Nesse drama, trevor trabalha numa fábrica e o que vemos é um personagem consumido por algum problema psicológico desconhecido. Não dorme há um ano, possui várias síndromes e leva uma vida solitária. Após ser o causador de um incidente que fez seu colega de trabalho perder o braço ele inicia uma crise paranóica e acha que todos seus conhecidos estão numa conspiração contra ele.
     A partir do momento que ele começa a criar a desconfiança em sua mente, o espectador já sabe que é tudo fruto de sua crise esquizofrênica, porém esse não é o ponto principal do filme. O que mais nos prende na história é a razão de ele estar naquela situação lamentável. E isso nós descobrimos no mesmo instante que o patético personagem.
     Com a brilhante atuação de Christian Bale mais o roteiro bem original, "O Operário" é um drama psicológico bem interessante. A degradação física e mental de Trevor somadas com sua paranóia faz com que ele vá se afundando cada vez mais em sua loucura e solidão, tornando-se cada vez mais sozinho. Quem não largar o filme na primeira meia-hora (ele é meio monótono no início pelo fato de já sabermos que tudo é consequencia da insanidade do operário), não o fará até seu término porque sua curiosidade o obrigrará a esperar o desfecho para saber o que o consumiu por dentro. A não ser que você resolva a forca:

__ __ __ __ E R


Conceito: Bom

domingo, 28 de junho de 2009

Crepúsculo

     
Nome original: Twilight
Direção: Catherine Hardwicke
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson
Gênero: Suspense
Ano: 2008


      A mais nova máquina de gerar lucro no cinema tem muitos defeitos, mas é salvo por algumas cenas. Isso porque sou otimista.
      A história todo mundo já sabe: a mortal Isabella muda-se para uma cidade para viver com seu pai e lá conhece Edward, o galã-vampiro que terá que enfrentar seus instintos para não fazer nenhum mal à sua namoradinha. Pela sinopse, esperei que a história principal fosse bem maçante. Tudo bem, eles se amam e precisam enfrentar esse desafio, mas... e daí? Será que o filme seria realmente só isso em questão de roteiro? Infelizmente é, pelo menos em sua maior parte. Nos primeiros dias na escola ela conhece a família Cullen (da qual Edward faz parte) e para nós, que já lemos a sinopse anteriormente, sabemos que todos são vampiros. Após trocas de olhares, flertes e outras coisas, os dois acabam de apaixonando. Depois de um tempo de enrolação, Edward conta à Bella que é um vampiro e que o pescoço da garota era uma tentação pra ele apesar de ele não querer machucá-la. A história é essa durante mais de uma hora de filme. Muito chato. Entretanto, há uma virada no filme onde o nível de suspense aumenta um pouco e pra mim foi isso que o salvou. Só depois que começa a perseguição do vampiro mau atrás de Isabella a história deixou um pouco a monotonia de lado e se tornou mais madura.
      Kristen Stewart traz uma péssima atuação como a personagem principal. Mas é impossível dizer se foi realmente culpa da atriz ou da má construção do personagem. Bella seria uma patricinha esnobe? Seria uma nerd com problemas de relacionamento? Seria uma sarcástica? A personalidade da personagem foi esquecida, sendo que tudo gira em torno de seu romancezinho com Edward e esse seria interessante, se trouxesse algo mais instigante do que sua tentação de morder o pescoço da garota.

      O principal erro de "Crepúsculo" é ter infantilizado uma história que poderia ser melhor explorada. Parece que o objetivo da diretora era focar tudo no ator bonitão, para provocar gritinhos de garotas histéricas no cinema. A história do casal implica mais do que ir a bailes de formatura ou conhecer a família um do outro, mas foi nesse tipo de banalidade que o filme mais se focou na maior parte do tempo. Exemplos de cenas mais bem feitas são: Isabella quase mordida pelo vampiro mau no estúdio de dança e o diálogo dos pombinhos depois do baile, onde ela implora a ele que seja mordida, para que se torne uma imortal.
     Em geral, o roteiro é mal construído e superficial (tanto nos personagens quando no tratamento do tema) com muitos diálogos infantis e cenas chatas que são uma tentativa frustrada de passar suspense ao espectador. "Twilight" é só "regular", mas eu tinha que vê-lo porque agora teremos que aguentar suas continuações por mais alguns anos e ficar sem uma posição quanto à qualidade da obra é complicado.


Conceito: Regular

sábado, 20 de junho de 2009

Ensaio sobre a cegueira

     
Nome original: Blindness
Direção: Fernando Meirelles
Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover,
Gênero: Drama
Ano: 2008


Revendo o filme hoje, resolvi escrever outro comentário.




     O filme mais incrível de 2008.
      Baseado no livro de José Saramago, o filme narra a história de uma onda de "cegueira branca" que atinge a população sem motivos aparentes e é contagiosa. Começa com um homem no trânsito e rapidamente se alastra por todos os lugares. Os primeiros infectados são levados para um prédio e colocados em quarentena e é nesse grupo que se encontra a personagem de Julianne Moore (nome desconhecido, assim como de todos os outros personagens e do país em que a trama se passa), a única que consegue enxergar. Lá dentro, forma-se uma minissociedade onde os instintos humanos se afloram, destruindo todos seus princípios e causando caos total.

      Buzinas, carros, semáforos, pessoas, prédios. Nesse cenário a primeira pessoa adquire a cegueira branca. Quem assiste a esse filme com olhos de espectador de um filme de ficção-científica perde muita coisa e provavelmente frustra-se. Nunca vi em um filme tamanha diversidade de mensagens e metáforas e por essa razão você deve compreendê-lo somente com a subjetividade. “Blindness” é um ensaio sobre a condição humana e da sociedade em que vivemos. Caos.

     Nos tornamos seres que vivem de hipocrisia e aparências. O que nos forçaria a olhar para nossa verdadeira essência? Uma cegueira que acabaria com nossa moral e nos obrigasse a vislumbrar nosso interior e o interior das outras pessoas. No início da história, quando o grupo ainda está no prédio isolado, vemos na tela somente imundície, mas quando eles estão livres, num mundo onde toda a população está cega, vemos como aquelas sim eram verdadeiras pessoas. A trama também fala de papéis e de como estamos presos em rótulos, e isso é mais um ponto que piora nossa condição de seres que não sabem quem realmente são. Com nosso egoísmo, temos a impressão de sermos totalmente independentes dos outros e que podemos tudo, que somos heróis que podem cuidar de tudo. Cada cena aborda questões diferentes e é preciso assistir mais de uma vez para sentir todos os tapas na cara que a história nos dá.
     Fernando Meirelles usou de alto brilho nas imagens para passar a sensação de não enxergar nada a não ser um “mar de leite” e achei bem interessante. A trilha-sonora, entretanto, foi um pouco repetitiva, com sons do grupo mineiro Uakiti que faz música com instrumentos inusitados, como canos de PVC.
     ”Ensaio sobre a cegueira” fornece material para horas e horas de discussões sobre psicologia, sociologia, filosofia ou de qualquer área. Isso depende de seu ponto-de-vista. Ainda não li o livro para dizer o que faltou ou que ficou ruim, mas para o cinema, é extremamente formidável. No final, guarde a mensagem da única não-cega da história: nós somos cegos, não eles.


Conceito: Excelente

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Across the Universe

     
Nome original: Across the Universe
Direção: Julie Taylor
Elenco: Evan Rachel Wood, Jim Sturgess, Joe Anderson
Gênero: Musical
Ano: 2007


     Musical da diretora de "Frida", composto totalmente por músicas dos Beatles.
     O jovem inglês Jude sai do Reino Unido e se muda para os Estados Unidos em busca de seu pai. Lá conhece um universitário rebelbe e se apaixona por sua irmã. A história se passa na época da Guerra do Vietnã e engloba os movimentos hippies e as perdas e sofrimento que a guerra trouxe.
     A trilha-sonora do filme é simplesmente perfeita, mas quando se trata de The Beatles, tal feito foi fácil de se atingir obviamente. Let it be, All you need is love, It won't be long,I wanna hold your hand e todo o resto foram cantadas pelos atores que têm vozes assustadoramente potentes e muitas canções ficaram ainda melhores que as originais.

     Quanto à história, bem, digamos que foi bem "forçada". Ela parece ter sido construída com o único objetivo de ser o palco das interpretações das músicas e mesmo assim há cenas que nem fazem parte da história (como a do garoto cantando "Let it be", apesar de ele ter uma das melhores vozes de todo o filme). Por isso, às vezes você tem a impressão de estar vendo clipes das músicas e não uma história sequenciada. Somam-se a isso as apresentações dos personagens no início que, por ainda não terem se conhecido, tornam as cenas confusas e a trama só deslancha quando todos viram amiguinhos. Além disso, a história é cheia daquele clima de "vivemos a vida sem limites... sexo... drogas... rock 'n' roll...", aquelas coisas típicas dos hippies.
     Como fez em "Frida", a diretora aplicou uns efeitos bem originais e bizarros nas cenas. Coisas que fazem você parar e se perguntar se ela é usuária de alguma droga ilícita, mas o resultado ficou até interessante, meio surreal. O filme não usou muito de coreografias, mas mesmo assim há cenas bem inteligentes, como as da música "I want you", quando Max vai se apresentar para o exército.
     Com a excelente e imperdível trilha-sonora numa história fraca, acho que é mais fácil você baixar o CD do filme e escutar, simplesmente ignorando as imagens que você encontraria no filme, embora você vá perder alguns efeitos e montagens bem excêntricos.


Conceito: Ruim

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Os Pássaros

     
Nome original: The Birds
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco:Rod Taylor, Jessica Tandy
Gênero: Suspense/Terror
Ano: 1963


     Outro clássico de Hitchcock que supera muito o tal Um corpo que cai. Pelo menos agora tenho uma mínima idéia do motivo de esse diretor ser tão respeitado.
      Melanie vai passar uns dias na pacata cidade de Bodega Bay, na Califórnia quando milhares de pássaros começam a atacar o lugar. Como as plantas no ridículo Fim dos Tempos que tentaram fazer sua vingança contra a raça humana, nesse filme foi um elemento mais inusitado que tenta se rebelar contra nós: os pássaros. Mais uma trama onde o ser humano é o responsável por seu infortúnio, e olha que esse foi produzido há mais de 40 anos atrás, bem antes da onda do devemos-salvar-o-mundo-e-o-aquecimento-global-é-uma-prova-disso.
     Os Pássaros não causa nenhum medo, mas é claro que isso é aceitável tendo em vista que a obra foi filmada em outra época, na qual os espectadores tinham uma percepção bem diferente da nossa. Ao contrário de Um corpo que cai onde eu não consegui enxergar quase nada que preste, esse filme traz pelo menos uma inigualável qualidade técnica, principalmente pelas cenas dos ataques dos pássaros onde foi usada uma grande riqueza de efeitos especiais para a época. Devemos respeitar também a fotografia que o diretor colocou no filme com o objetivo de causar ainda mais impacto pois demonstra sua preocupação em inovar no jeito de filmar.
     Entretanto, a ótima qualidade técnica dessa obra não é o bastante para torná-la excelente. A história é muito chata e há cenas demasiadamente grandes. A única coisa que sustenta a história é a originalidade do tema central, pois quando o filme acabar, a única coisa da qual você vai se lembrar no roteiro é: pássaros atacando pessoas.


Conceito: Regular

domingo, 31 de maio de 2009

Sim, senhor

     
Nome original: Yes man
Direção: Peyton Reed
Elenco: Jim Carrey,Zooey Deschanel, Bradley Cooper
Gênero: Comédia
Ano: 2008


     Carl é daquele tipo que após uma decepção amorosa se recolheu no seu mundo solitário e tenta evitar ao máximo qualquer oportunidade que surge na sua vida. Ele é o homem do não. Quando participa de uma palestra de auto-ajuda, decide dizer sim a tudo na sua vida, mudando sua vida completamente.
     Finalmente assito uma comédia porque há muito tempo não rio vendo filmes. "Sim, senhor" traz o mestre da comédia, Jim Carrey fazendo um ótimo trabalho com sua atuação hilária e, junto com a linda Zooey Deschanel, que interpreta sua nova amada no filme, forma um casal bem carismático. O roteiro, é claro, não é nada surpreendente, sendo que só de ler a sinopse você consegue prever tudo que vai acontecer no filme. A fórmula é a mesma: apresentação do personagem e seu fracasso, sua mudança de estilo de vida, as consequências de tal mudança (incluindo um novo amor), e a lição de vida no final. Contudo, comédias são feitas para provocar gargalhadas e essa conseguiu, embora não muitas. Destaque para a cena do encontro dele com Allison após ter passado a noite toda em raves bebendo Red Bull. Com certeza não é o melhor filme de Carrey, mas é um bom entretenimento de qualquer maneira. Preciso ver mais comédias, alguém tem sugestões?


Conceito: Regular

sábado, 30 de maio de 2009

O Passado

Nome original: El Pasado
Direção: Hector Babenco
Elenco: Gael García Bernal,Analía Couceyro, Ana Celentano
Gênero: Drama
Ano: 2007


     Hector Babenco, diretor de "Carandiru", leva às telas esse drama de roteiro denso e inesquecível.
     Ramini e Sofia formam um casal junto há 12 anos e que agora se separa, trazendo sérios problemas a Ramini por causa das perseguições da ex-mulher. Nem de longe "O Passado" é uma história de ciúme doentio pois seu roteiro é bem mais complexo do que esperamos. O casal é uma personificação de vários outros reais, que estão a nossa volta e passam pelos mesmos problemas, principalmente quando sua história não dura até que a morte os separe.
     O personagem principal do filme é o passado. O passado onde Ramini e Sofia viviam casados unidos pelo amor que parecia ser eterno. Depois da separação temos mais dois personagens principais: os dois divorciados. De um lado temos um tradutor viciado em cocaína e que depois de ter se separado da mulher foge de qualquer jeito do passado, ignorando a ex-mulher e as fotos do casamento. Do lado oposto temos ela e suas apelações para que Ramini resolva as situações pendentes e os compromissos que qualquer relacionamento, mesmo que acabado, exige. Sofia vai fazê-lo aprender a lição, custe o que custar.

     Podemos definir o filme como feminista tendo em vista que o homem foi personificado como o indiferente e descompromissado com os sentimentos alheios e a obra agradará todas as mulheres, que agora têm sua vingança através da personagem Sofia. Assim, a mulher ensina Ramini por dolorosas lições que não adianta fugir do passado porque ele sempre estará lá e enquanto ele não aprender a conviver com ele, sua vida não continua. Gael García Bernal e Analía Couceyro se saíram muito bem nas interpretações desses papéis complicados que não trazem uma vítima e um vilão. São simplesmente ex-amantes presos no...passado. A personagem de Analía, Sofia, é ainda mais complicada pois não sabemos se ela está maluca ou se está simplesmente sendo forte o bastante para agir contra a indiferença do ex-marido e sua atitude evasiva em relação ao seu relacionamento. O história traz uma crítica a todos que brincam com sentimentos de outros e que mesmo sem se dar conta, destroem suas vidas e o casal do filme é representação de todos esses relacionamentos no qual há um amando e o outro ignorando.
     Todas essas mensagens estão escondidas e por isso a história não se torna clichê. A trama deixa pontos que podem ser explorados de uma maneira diferente por cada espectador, um ótimo trabalho do diretor. Muitas cenas trazem metáforas e diálogos que dependem da sua percepção para ser desvendados e tudo isso com uma fotografia muito bem montada e a trilha-sonora de violino que traz uma interessante melancolia às cenas. Como toda a trama, várias cenas e diálogos são secos e "quentes", o que nos faz ficar ainda mais íntimos dos personagens.
Esse filme argentino é extremamente recomendável a todos que querem uma história para pensar e ter mais uma prova de como o cinema é mesmo apaixonante e poderoso.


Conceito: Excelente

domingo, 24 de maio de 2009

A Troca

     
Nome original: Changeling
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Angelina Jolie, John Malkovich
Gênero: Drama
Ano: 2008


     No ano de 1928, Christine Collins deixa seu filho, Walter, de 8 anos, sozinho em casa e vai ao trabalho. Quando retorna, percebe que seu filho desapareceu e assim começa a luta pra reencontrá-lo. Um tempo se passa e a polícia lhe devolve um garoto que diziam ser seu filho, mas ela nega, começando uma guerra contra o Departamento de Polícia de Los Angeles. Tudo isso é uma história real, e quando o filme terminar, você vai duvidar disso de tão brutal que a trama é.
     "A Troca" não é somente a luta de Christine para reaver seu filho. É mais uma luta para desmascarar e enfrentar a corrupta polícia de LA que faz de tudo para afirmar seu poder na cidade. De início, a história é sim somente sobre o desaparecimento do garoto, mas a partir do momento que os policias vão se mostrando mais pilantras, outros elementos e personagens aparecem, resultando num filme de quase 3 horas de duração no qual é impossível distinguir o início, o meio e o fim. Esse foi o ponto fraco do filme: não conseguiu manter a história forte no filme todo, como foi no começo. Encontramos a solução do caso do desaparecimento de Walter bem antes do final do filme, e assim o foco passa a ser outro(s). Quando você acha que terminou tudo, lá vem mais sofrimento. Essa mudança de foco não acontece só uma vez e faz o filme ficar levemente cansativo e longo demais. Porém, nem de longe ruim!
      Clint Eastwood contou a bela história sem grandes inovações, sendo que a arma que prende o espectador é a emoção. A força da personagem em enfrentar os figurões da cidade e a dor da possível morte do filho é belamente interpretada por Angelina Jolie e as cenas onde seu desespero é ignorado o silenciado são desconcertantes. Das concorrentes ao Oscar de Melhor Atriz, só vi Kate Winslet em "O Leitor", mas sem dúvida Angelina foi melhor, mostrando-se espetacular nas cenas dramáticas. Tais cenas são as melhores do filme e são de partir o fígado.

      Na história são discutidas várias questões como a verdade perdida em meio à mentira e pilantragem (pra quem achava que isso não existia fora do Brasil...), a difícil busca pela justiça numa cidade dominada pela intimidação policial e a esperança, o único combustível de Christine. Vê-se que é bem cheio de clichês, mas não importa. "A Troca" é a definição de um drama: feito para emocionar e te fazer subir pelas paredes de tanta aflição.


Conceito: Muito Bom

Pi

     
Nome original: Pi
Direção:Darren Aronofsky
Elenco:Sean Gullette,Mark Margolies, Ben Shenkman
Gênero: Suspense/Ficção
Ano:1998


     Minhas hipóteses:
1. Matemática é a linguagem da natureza.
2. Tudo a nossa volta pode ser representado e entendido através de números.
3. Se você esboçar esses números, surgirá um padrão. Por isso: há padrões para tudo na natureza.

     
      A citação acima define o objetivo do personagem principal de "Pi", Max Cohen. Para ele, tudo é feito de números e padrões. Assim, tudo pode ser previsto desde que você descubra as leis numéricas que regem um sistema. Até as casas decimais do número Pi (3,14159265...), acredita ele (e vários estudiosos reais que estudaram esse número) , possuem um padrão. No filme, Max está trabalhando com o objetivo de descobrir o padrão que as ações da bolsa tomam, e assim tornar o futuro delas previsível. Apesar de o filme ter o nome do famoso e misterioso número Pi, ele não é o ponto central da trama. Porém, ele exprime perfeitamente os mistérios que a humanidade enfrenta com a matemática, tendo em vista que ninguém até hoje provou que o tal número segue um padrão numérico.
     Na realidade, o mais importante na história é o número descoberto por Max quando seu computador enfrenta um bug e imprime na tela um algarismo de 216 dígitos, que de acordo com vários personagens é a essência de tudo no universo. No meio disso tudo, até judeus fanáticos aparecem na história pra tirar uma lasquinha da descoberta de Max, bagunçando ainda mais sua vida paranóica.

     Sendo um monstro na matemática, é de se esperar que ele seja extremamente paranóico e bizarro também. O sofrimento do personagem é passado de um jeito bem interessante ao espectador com cortes de câmera, barulhos irritantes que estão na cabeça dele e suas crises bem desagradáveis. Quanto mais vai avançando no seu estudo pelos labirintos da matemática, suas crises vão se tornando piores, como se estivesse chegando a uma verdade que nós humanos ainda não estamos preparados para saber. A fotografia, a trilha-sonora eletrônica e a criatividade sem limites do diretor, como colocar um cérebro cheio de moscas para representar a dor de Max, cumprem seu papel de trazer perturbação, muita perturbação. O talento da produção é indiscutível, pois usou de equipamentos caseiros e baixíssimo orçamento para produzir o filme e mesmo assim conseguiu chegar a um resultado bem surpreendente, tecnicamente falando.
     Quanto ao roteiro, traz elementos e curiosidades matemáticas legais , como a Proporção Áurea, mas o que mais chama a atenção é mesmo a parte técnica. A história começa muito bem, mas vai decaindo e termina de um jeito não muito satisfatório, mas pensando bem, era realmente a única saída. Ainda não estamos preparados para grandes e absolutas verdades.
      "Pi" é sem dúvida um dos filmes mais diferentes e bizarros que já assisti (não mais que "Laranja Mecânica", claro), mas não sei o motivo de não ter mexido muito comigo...Acho que não sou tão nerd de matemática quanto o grupo que o filmou.


Conceito: Bom

sábado, 23 de maio de 2009

A Lista - Você está livre hoje?

     
Nome original: Deception
Direção: Marcel Langenegger
Elenco: Ewan McGregor, Hugh Jackman, Michelle Williams
Gênero: Ação/Suspense
Ano: 2009


     Um auditor é apresentado a um mundo secreto pertencente à elite de Nova York, que oferece aos seus participantes uma noite de satisfação sexual.
     Quando li a sinopse desse filme, imaginei que seria uma história de ricões tarados procurando por sexo em uma rede de prostitutas e que o personagem principal, solitário e ingênuo, entrando nesse clube, ia se meter com mafiosos e outros tipos de figuras perigosas. Bem, eu acertei só pela parte do "solitário e ingênuo". O clube do sexo é formada majoritariamente por executivos bem-sucedidos (inclusive as mulheres) e tudo que eles têm que fazer para conseguir uma noite de satisfação sexual é discar para um membro da lista e perguntar: "Você está livre hoje?". É fácil perceber uma critica ácida à nossa vidinha moderna onde tudo é estável, fácil e mecânico. Em Nova York, os executivos atolados em trabalho e solidão veem pela janela a vida passando e, graças à falta de tempo, o único jeito de saciar sua carência sexual é por meio d'A Lista.

     Pra mim, o filme tem duas partes. Na primeira, somo apresentados ao personagem principal, muito bem interpretado por Ewan McGregor, e sua solidão que também foi muito bem explorada pelo roteirista e diretor. Diga se aqueles prédios gigantescos de Nova York, cheios de janelinhas iluminadas não causam uma certa melancolia? É nessa parte também que ele descobre do clube do sexo em questão e se esbalda todas as noites, cobrindo provisoriamente sua solidão. Na segunda parte é onde começa a ação e o suspense do filme e por isso não me agradou muito, pois como muitos sabem, essa não é bem minha área. Pra mim, o roteiro pode ser chamado de "original" somente na primeira parte da história, pois na maior parte do enredo, não consegue escapar da mesmice que encontramos em filmes desse gênero. Nessa mesma fórmula contém: chantagem, refém, assassinato, revelações inesperadas (mas que você consegue prever em muitos casos), e dinheiro, claro. A estrutura da trama, referente à revelação inesperada que muda o curso da trama, é bem parecida com a do "Awake - A vida por um fio" e quem assistiu um dos dois sabe do que estou falando.
     O final não traz nenhuma surpresa e talvez seja porque o diretor já tinha cansado de usá-las durante toda a história. Para ser generoso com os fãs de ação desse estilo, daria um 7,0 para "A Lista", porque acho que é uma boa recomendação para eles.

sábado, 9 de maio de 2009

LIVRO: A Ilha

Nome original: Island
Autor: Aldous Huxley
Gênero: Ficção (?)
Ano: 1963


     Primeiramente, adianto que esse livro não tem nada a ver com o filme "A Ilha" que muitos já devem ter assistido.
     O nome da ilha ficcional é Pala e situa-se em algum lugar do oceano Atlântico que eu não me lembro. O personagem principal é John Farnaby, que "por acidente" naufraga na ilha e assim passa a conhecer seus habitantes e sua cultura. Aldous Huxley constrói a ilha, em seu ponto de vista, nos moldes de uma sociedade utopicamente perfeita. Atacando os problemas de nosso mundo ocidental, ele faz com que os habitantes de Pala ajam de modo oposto, criando uma ilha livre das podridões as quais somos submetidos aqui.
     Dentre os pontos criticados, os principais são: a religião, o Estado e o capitalismo. Pra mim, essas são as raízes de nossos problemas, pois nossas idéias, ética e moral atuais provêm deles. O escritor britânico tem total credibilidade para fazer tais julgamentos porque como observamos pelos seus outros livros, ele possui conhecimento em quase todas as áreas de estudo: biologia, sociologia, filosofia, política e religião. Apesar disso, muitas de suas idéias aqui parecem óbvias e nos dá a impressão que sua única ação inédita foi tê-las colocado num romance. Por esse motivo, ele não me surpreendeu tanto quanto o brilhante "Admirável Mundo Novo" que traz idéias pessimistas e originais de Aldous sobre o futuro da humanidade.

     O livro quase não possui uma trama ficcional. Ela é simplesmente uma desculpa para as longas conversas entre os personagens que descrevem a ilha para o forasteiro e assim, sendo toda a história formada de diálogos entre Farnaby e os palenses, o livro é uma mera descrição de como funcionado a ilha perfeita. O conteúdo do livro lembrou-me um livro didático de sociologia, ou de alguma área que eu citei acima e esse é um dos motivos que ele se torna parado às vezes.
     Algumas teorias de Aldous são simples e até óbvias, porém, há certos pontos bem complicados de se entender por exigiram conhecimento de várias áreas. Um exemplo são as partes em que os personagens discutem religião, que são um pouco confusas pela presença de elementos da cultura oriental e essa é exatamente a parte mais discursada na trama. Na verdade, há no livro muitas partes difíceis de entender completamente pelo mesmo motivo: diversidade de elementos incorporados.
     Segundo o autor, a alta taxa de natalidade, a frustração sexual da população e a máquina capitalista são algumas variáveis da equação que resulta na nossa sociedade doente e essa última é o maior temor dos moradores da ilha que fazem de tudo para se manterem isolados da selva onde todos buscam dinheiro. Lá, além de a espiritualidade estar acima de tudo e agirem de maneiras bem diferentes, sua economia é quase subsistente.
     Suas críticas aos nossos vícios e futilidades são tão ásperas que, junto com as outras várias, ele nos faz sentir vivendo num mundo totalmente perdido. Seu ataque ao cristianismo e à sua doutrina contraditória, simplista e tola, no mínimo o condenaria à fogueira se vivesse Idade Média.
     Pala oferece a solução para todos os problemas da humanidade: alimento para os famintos, paz para os desorientados, conhecimento para os ignorantes, liberdade sexual, respeito e igualdade a todos, espiritualidade aos desequilibrados, etc. Os argumentos que seu criador demonstra no livro nos fazem perceber como nossa sociedade está doente e que isso é fruto do passado, da moral e de tudo criado pelos homens, e não uma condição que surgiu naturalmente. Leia "A Ilha" e sinta Pala jogando na sua cara nossa decadente situação. Nós criamos os sistemas e sofremos com eles. Admiráveis seres humanos...

sábado, 2 de maio de 2009

Um corpo que cai

     
Nome original: Vertigo
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: James Stewart, Kim Novak
Gênero: Suspense
Ano: 1958


     Mestre do suspense nos presenteia com uma trama monótona e fraca. Peço desculpas aos fãs, mas é realmente o que eu acho.
      John Ferguson é um detetive policial que, após presenciar um certo incidente, começa a sofrer de vertigem por medo de altura. Com o passar do tempo, é incumbido de seguir e vigiar a mulher de um amigo que parece estar espiritualmente (ou mentalmente) perturbada e possui tendências suicidas.Comentar esse filme é um tanto complicado, pois como não quero estragar algumas surpresas, não posso descrever as situações que vemos na tela. Mesmo assim vou tentar.
     Após 30 minutos de "Um corpo que cai", você anseia por um elemento que dê à história algum tempero, de tão parada que ela é. Após mais algum tempo, você tem certeza que aquele é o tipo de filme onde haverá algum elemento surpresa, pois a trama é contruída tão obviamente que fica evidente que o diretor planejava alguma coisa para tentar surpreender o espectador. As cenas extremamente longas e sem conteúdo, como o detetive seguindo o carro da mulher, explicitam a vontade do diretor de construir uma história previsível e infantil.
     Pois bem, após a reviravolta que até traz algum sentido ao filme (parecendo uma cópia barata do desfecho de algum romance de Agatha Christie), você acha que o filme chegou ao fim, mas estava só começando a segunda parte, que pode classificada como romântica. É nessa parte que o filme mostra algumas cenas até interessantes, mas nada que cubra a letargia dele como um todo. Devo admitir que Alfred foi original nas suas idéias de roteiro, mas o modo como o moldou deixou muito a desejar.
     Como suspense, "Um corpo que cai" não faz nem cócegas, a não ser pela trilha-sonora que é legalzinha, como a famosa de "Psicose". Como um filme fonte para análises dos personagens, de seus atos e das cenas, você talvez encontre alguns pontos em que pensar. Resumindo: você precisa se esforçar bastante para encontrar o motivo de tamanha adoração dessa obra.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Operação Valquíria

     
Nome original: Valkyrie
Direção: Bryan Singer
Elenco: Tom Cruise, Kenneth Branagh, Bill Nighy, Tom Wilkinson
Gênero: Drama
Ano: 2008


     Alemanha de Hitler, ano 1944. Com a derrota iminente do III Reich, vários generais alemães planejam matar Hitler e tomar seu lugar, para assim acabar com a era do terror implantado pelo Nacional-Socialismo. Coronel Stauffenberg, ou melhor, Tom Cruise é um deles.
     O filme começa com Stauffenberg num campo de batalha, prestes a voltar para a Alemanha, escrevendo uma carta onde ele coloca seus pensamentos e a partir daí ele é o herói da trama: sua indignação com o massacre de judeus, a sensação de ter sido usado pelo Führer e sua insanidade, e sua vontade de acabar com aquela situação. Dessa maneira, com alguns aliados, ele começa a formar um plano para usar o próprio sistema de segurança do governo nazista, a Operação Valquíria, contra ele mesmo.

     Boa parte da história é chata, principalmente o início, antes de colocaram as mãos na massa. Após colocarem o plano em ação, o filme se torna mais emocionante, pois estavam cometendo alta traição contra Hitler e sujeitos a serem descobertos a qualquer hora. Entretanto, como eu temia, as críticas que li e ouvi sobre o filme estavam certas: tudo parece ser um longa de ação americano sobre a luta entre vilões e mocinhos. Tenho certeza de que se o papel principal não fosse estrelado por Cruise, o filme entraria para a lista dos ignorados, assim como o recém-comentado-por-mim, "Uma mulher contra Hitler". À parte dos quesitos técnicos que são obviamente do nível de uma alta produção hollywoodiana, o roteiro não passa daquilo que eu escrevi acima. O adjetivo correto para o filme seria "sem graça". Talvez seja o fato de o protagonista ser um astro famoso que tenha, ao mesmo tempo, rendido altos lucros mas também feito com que o filme se parecesse como uma ação (ou um filme de guerra) ficcional, perdendo seu brilho.
     "Operação Valquíria" emociona em alguns cenas e faz o espectador prender a respiração em outras, mas é tudo passageiro. A conspiração mostrada no filme foi a última das 15 com o objetivo de matar Adolf Hitler e pelo menos através dele nós visualizamos esse tipo de acontecimento que é ignorado pela história.
     

domingo, 26 de abril de 2009

Danton: o processo da Revolução

   
Nome original: Danton
Direção: Andrzej Wajda
Elenco: Gérard Depardieu, Wojciech Pszoniak, Patrice Chéreau
Gênero: Drama/Histórico
Ano:1982


     Em 1794, algum tempo após a queda do Antigo Regime, a França vive o Período do Terror, onde o Comitê de Salvação Nacional comandado por Robespierre não consegue melhorar a precária situação dos franceses e ainda promove uma enorme matança contra todos que eram contra o governo da recém-formada república. É nessa época que Georges Danton, um dos líderes da Revolução Francesa, retorna a Paris e encontra a cidade aterrorizada com o governo fazendo seus líderes apreensivos e temendo uma contra-revolução.
     Já no início do filme sentimos o clima tenso em que o país se encontrava: a violência, a fome e a guilhotina em ação constante. A trilha-sonora mais parece de um filme se passado na Idade Média do que numa república governada pelos representantes do povo e criadores da Declaração dos Direitos dos Homens. Robespierre começa a ser encarado pela população como um ditador e assim sua credibilidade decresce a cada dia e é ele que parece ser o protagonista dessa trama que traz o nome de seu rival. Danton aparece na história como um ídolo popular e um revolucionário destemido, calmo e insatisfeito com a atual situação de seu país. Porém, o estado de desespero, culpa e arrependimento em que Robespierre se encontra fica evidente em todas as cenas e isso as faz mais impactantes do que as do herói jacobino. O motivo de tal estado é que o líder do Comitê se vê obrigado a perseguir aqueles que estavam no mesmo lado que ele e que ainda compartilham o mesmo ideal, mas de modos diferentes. Como quase todo ativista premiado com o poder que vemos na História, Robespierre acaba se esquecendo dos seus verdadeiros objetivos e Danton é ele no passado: um homem que visava somente o bem-estar de todos e que acreditava piamente que conseguiria isso pacificamente.
     Apesar de toda a popularidade e altruísmo de Danton, não percebemos no filme sua total devoção à causa. Sua tranqüilidade excessiva faz com que suas ações sejam ofuscadas pela brutalidade do governo que, ao contrário dele, usa o medo como a principal arma para calar a população e evitar mais revoltas. Assim, a insistência daquele em usar métodos pacíficos culmina em sua morte e na de seus companheiros que parecem terem sido em vão. Seus discursos para o povo no tribunal, suas discussões com Robespierre e suas tentativas de mudar o pensamento dos franceses pareceram ter ido por água abaixo, mas felizmente sabemos que não, pois menos de um ano depois, Robespierre e seus onze deputados foram depostos de seus cargos, trazendo, mais uma vez, esperança para a França.


domingo, 19 de abril de 2009

Uma mulher contra Hitler

     
Nome original:Sophie Scholl - Die Letzten Tage (Alemão)
Direção: Marc Rothemund
Elenco:Julia Jentsch, Fabian Hinrichs, Gerald Alexander Held
Gênero: Drama
Ano: 2008


     Esse filme acabou com meu domingo. O que espera-se de filmes passados na Alemanha Nazista é muita podridão, covardia e injustiça, mas esse, assim como "Olga", conseguiu me abalar mais do que os outros.
     Baseado em fatos reais, o filme conta a história da jovem Sophia Scholl que, junto com seu irmão e alguns amigos, formam o grupo universitário de resistência Rosa Branca que, dentre outras manisfestações, escrevem e divulgam panfletos anti-hitleristas. O conteúdo dos panfletos eram idéias de que a guerra já estava perdida para a Alemanha, que o Fünher estava promovendo um banho de sangue pela Europa, a defesa da liberdade e outras coisas que desmoralizavam o III Reich. Numa dessas ações, enquanto Sophia e seu irmão distribuíam os tais panfletos na universidade em que estudavam, são pegos e levados à prisão. Durante quase todo o filme, acompanhamos a jovem de Munique na cadeia enfrentando os interrogatórios e principalmente a ansiedade e o medo que antecedem o julgamento que pode resultar na sua condenação à morte.
     Cenas interessantes fazem o filme de alto valor para os que, como eu, se interessam pelos assuntos referentes ao nacional-socialismo germânico. As discussões entre os personagens ativistas e os nazistas,por exemplo, além de explicitar muito bem o ponto-de-vista de ambos os lados, demonstram como esses últimos estavam cegos pela ideologia que pregava o amor à pátria, tendo como principal arma o ódio. Muitos deles nem sabiam da matança de judeus e outras minorias. Outro ponto importante é que o longa mostra que nem todos os alemães estavam de acordo com o que Adolf Hitler pregava.
     "Uma mulher contra Hitler" é aquele tipo de filme que te deixa num estado de suspense perturbardor, como se você estivesse encarcerado junto com a forte e ousada Sophia Scholl. Você passa a ser seu companheiro de cela e sente todo o medo e as dúvidas que surgem na sua mente. Será que foi tudo em vão? Deveria ela abandonar sua fé na liberdade e salvar sua vida? Nessa situação angustiante, você espera durante toda a trama que algum herói ou alguém interceda por ela e pelos outros jovens que só queriam a liberdade e o respeito a todos as pessoas. É nesse ponto que você se lembra de que aquilo é uma história real, ocorrida recentemente, há 66 anos, e que a vida real não é tão justa e piedosa como a ficção.

sábado, 18 de abril de 2009

Crepúsculo dos Deuses

     
Nome original: Sunset Boulevard
Direção:Billy Wilder
Elenco:William Holden, Gloria Swanson, Nancy Olson
Gênero:Drama
Ano: 1950



     Clássico brilhante, indispensável para todo cinéfilo.
     Quando fugia de cobradores, o roteirista fracassado Joe Gillis (William Holden) acaba entrando em uma mansão (na Avenida Sunset, por isso o título original) que à primeira vista parecia abandonada. Por coincidência, na casa, que não estava abandonada, morava uma famosa estrela do antigo cinema-mudo, Norma Desmond, que o convida a ajudá-la a escrever um roteiro para um filme que será estrelado por ela mesma. A oportunidade parece perfeita para Gillis, que precisava de um emprego, e ele aceita o trabalho, apesar de o roteiro escrito pela atriz para seu retorno às telas ser péssimo. O que parecia ser um simples emprego acaba se tornando uma situação perturbadora, pois Norma usa sua soberba, carência, dinheiro e também paixão para aprisionar Gillis de todas as formas possíveis, tornando sua vida nada agradável.
     O filme traz Gloria Swanson interpretando uma personagem inesquecível, tanto por sua atuação, tanto pela originalidade do tema que o filme trata por meio dela: a decadência de uma típica atriz de cinema orgulhosa e narcisista que por causa da piedade das pessoas à sua volta, não está a par de que sua época de ouro já se foi. Uma esquecida que não sabe de seu esquecimento. O grande ponto do filme é que não sabemos se ela realmente não sabe que sua carreira já acabou ou se seu subconsciente a manteve sonâmbula nesse mundo de falsa adoração e soberda que ela mesma construiu com a ajuda de seus amigos que, como um ato de caridade, preferiram a manter nesse estado de sono, na onde ela se manteve até o final da trama. A cada cena, ficamos com mais pena e percebemos quão patética a personagem se torna.
     Assim como "Cantando na Chuva", esse clássico mostra consequências da substituição do cinema mudo pela nova forma de fazer filmes, causando, nesse caso, a queda da estrela Desmond. Afundada em sua paixão pela fama, ela recusa-se, consciente ou inconscientemente, a aceitar que sua presença nos estúdios é coisa de outrora. Dessa forma, o filme faz um ensaio de como o mundo glamouroso dos artistas transforma alguns em viciados.
     Durante todo o filme, a narração da história por Joe Gillis nos acompanha, trazendo suas impressões e confissões ao espectador, fazendo o filme ficar ainda mais interessante. O roteiro permitiu-se até mesmo trazer algum humor a esse enredo que, no final, acaba se tornando bem sinistro e angustiante. Outra impressionante A cena final, que traz o ápice da loucura da personagem principal espanta pelo enorme brilhantismo e faz você pensar "Que filmaço!".
     "Crepúsculo do Deuses", além de trazer o nome em português mais impactante que o original, traz também um roteiro marcante que mereceu completamente o Oscar de 1950 e vai ficar em sua memória por um bom tempo.

terça-feira, 14 de abril de 2009

P.S. Eu te amo

     
Nome original: P.S.I love you
Direção: Richard LaGravanese
Elenco: Hilary Swank, Gerard Buttler, Kathy Bates
Gênero: Comédia-Romântica
Ano:2008


     Holly é casada com Gerry, um irlandês bem-humorado e vive feliz em seu simples apartamento, enfrentando os problemas que todo casal tem. Porém, quando Gery morre, Holly fica totalmente arrasada até que descobre que o marido deixou-lhe cartas com o objetivo de guiá-la após sua morte. As cartas seriam entregues com o tempo e assim Holly entra no jogo para tentar ir em frente, mas sem esquecer o passado.
     O grande truque desse filme fois a escolha dos dois protagonistas: Hilary e Gerard formam um casal extremamente carismático e dando um show de atuação. Ela atua tão bem que você nem lembra da lutadora durona de "Menina de Ouro". Outro ponte forte do filme é que ele não ficou somente no fraca comédia que vemos nos filmes desse gênero. Na verdade, ele é um romance com uma forte pitada de humor, e não o contrário. A trilha-sonora está sempre presente, composta por algumas músicas conhecidas e que fazem uma boa companhia à história da personagem que tenta seguir com sua vida e encontrar novamente a felicidade dos velhos tempos. Com essa mescla de sensações, "P.S.Eu te amo" traz uma trama que não foge tanto da realidade e assim proporciona, por meio de um roteiro simples, momentos agradáveis, principalmente se você estiver acompanhado.